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Licenças AL (Alojamento Local) em Lisboa — o que os compradores estrangeiros precisam de saber em 2026

Mais Habitação, zonas de contenção AL, congelamentos da Câmara de Lisboa, 6 % de IRS sobre o bruto, sobretaxas de IMI. Um guia operacional completo do arrendamento de curta duração em Lisboa tal como está em 2026.

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TOPor The Outpost desk·Revisto

Os pedidos de AL em Lisboa fora de imóveis salvaguardados estão efetivamente congelados em toda a cidade ao abrigo do Mais Habitação e das zonas de contenção da Câmara.

O que é uma licença AL — e o que não é

Um registo AL (Alojamento Local) é a licença necessária para arrendar legalmente um imóvel habitacional português para estadias curtas (menos de 30 dias). É gerido pela Câmara Municipal local em coordenação com o Turismo de Portugal. Sem número AL não pode anunciar um imóvel no Airbnb, Booking ou qualquer outra plataforma de arrendamento de curta duração — as plataformas verificam agora o registo de forma centralizada.

Uma AL não é uma licença de urbanismo, nem um certificado de segurança do edifício, nem um abrigo fiscal. É puramente a licença para operar. Pode ter uma AL num imóvel com alterações estruturais não licenciadas (um problema à parte ao qual voltaremos).

A lei Mais Habitação (Lei 56/2023) e a sua reversão parcial

Em outubro de 2023 o anterior governo liderado pelo PS aprovou a Lei 56/2023 (o programa «Mais Habitação») com três mudanças significativas para a AL:

  1. Congelamento nacional de novas AL. Nenhum novo registo AL podia ser concedido em qualquer parte do país — sujeito a exceções municipais caso a caso.
  2. Revisão de cancelamento em 2030. Os registos AL existentes seriam revistos e poderiam ser cancelados em 2030 a menos que os proprietários provassem que o imóvel operava genuinamente como arrendamento de curta duração.
  3. Contribuição extraordinária. Os operadores AL pagam uma contribuição adicional baseada no coeficiente de desocupação do imóvel.

Em maio de 2024 o novo governo Montenegro liderado pelo PSD reverteu parcialmente o Mais Habitação através do Decreto-Lei 76/2024. O congelamento nacional generalizado foi levantado, a revisão de cancelamento de 2030 removida e a contribuição extraordinária eliminada. Mas as zonas de contenção a nível municipal mantiveram-se — e Lisboa, Porto, Madeira e partes do Algarve mantiveram ou até apertaram os seus próprios congelamentos.

Efeito líquido: a AL já não está proibida a nível nacional, mas é praticamente impossível de obter no centro de Lisboa, no centro do Porto, no Funchal e em partes do Algarve. Se o arrendamento de curta duração é a sua tese de investimento, precisa de verificar a freguesia específica antes de assinar.

As zonas de contenção de Lisboa — a realidade prática

A Câmara Municipal de Lisboa designou as seguintes áreas como «zonas de contenção absoluta» a partir de 2018, com extensões posteriores:

  • Santa Maria Maior (Alfama, Castelo, Mouraria, Baixa)
  • Misericórdia (Bairro Alto, Chiado, Bica, Cais do Sodré)
  • São Vicente (Graça, Penha de França)
  • Ajuda (partes)
  • Belém (partes)
  • Arroios (partes de Anjos e Pena)

Nestas zonas não são aceites novos registos AL. As licenças AL existentes estão salvaguardadas e podem ser transferidas para um novo proprietário com o imóvel (é uma das poucas formas legítimas de adquirir exposição AL no centro de Lisboa: comprar um imóvel que já detém a licença).

Como verificar um registo AL existente

  1. Peça ao vendedor o número de registo AL (código numérico de seis a oito dígitos).
  2. Procure-o no registo público RNAL (Registo Nacional de Alojamento Local).
  3. Confirme que a morada do imóvel corresponde exatamente à morada da escritura.
  4. Verifique que o registo está «ativa» (ativo) e não «suspensa» ou «cancelada».
  5. Verifique que a modalidade AL (Estabelecimento de Hospedagem, Apartamento, Moradia) corresponde ao uso pretendido.
  6. Em Lisboa, verifique também junto da Câmara que a AL não foi individualmente revogada ao abrigo das regras de contenção pós-2018.

A realidade fiscal de operar uma AL

O rendimento AL para não residentes é tributado ao abrigo do regime Categoria B do IRS. As regras-chave de 2026:

  • Regime simplificado: 35 % da receita AL bruta é tratada como rendimento tributável, tributado à taxa de não residente (28 % em geral, ou escala progressiva se optar). Taxa efetiva ≈ 9,8 % do bruto.
  • Taxa de cidade: 2 €/noite em Lisboa, 2-3 € no Porto.
  • Sobretaxa de IMI: os imóveis usados como AL podem ser reclassificados pela Câmara, ativando escalões de IMI mais altos.
  • IVA: isento abaixo de 15.000 € de receita anual; 6 % padrão (taxa reduzida para alojamento) acima disso.
  • Segurança social: se a AL for a sua atividade principal, pode dever contribuições.

Para um apartamento em Lisboa a render 30.000 €/ano no Airbnb, a carga total de imposto + taxa de cidade + IMI é tipicamente de 18-25 % da receita bruta.

O que acontece se operar sem AL

Anunciar um imóvel no Airbnb / Booking sem um número AL válido é ilegal. As plataformas verificam agora o número no momento do anúncio, por isso o risco prático é a remoção do seu anúncio. O risco legal é uma multa de 2.500-40.000 € da ASAE (o regulador das atividades económicas). Os reincidentes enfrentam proibições de anúncio.

O problema das ampliações não licenciadas

Um problema à parte e provavelmente maior: estima-se que 30 % das casas portuguesas antigas têm alterações (quartos extra, mezaninos, unidades divididas, conversões de terraços) sem o devido licenciamento da Câmara. A Caderneta Predial Urbana (registo fiscal) mostra uma configuração, a Conservatória (registo legal) outra, e o imóvel físico uma terceira.

Para um imóvel AL isto importa porque: (a) a AL é concedida apenas para a configuração legalmente registada e (b) regularizar obra não licenciada pode demorar 6-24 meses e custar 5.000-30.000 €.

Se vai comprar — o fluxo de verificação

  1. Execute o dossiê da Outpost sobre a morada. Vai sinalizar o estado de contenção AL da freguesia e a taxa de IMI local.
  2. Se o plano é arrendamento de curta duração: verifique que o número AL existe, está ativo e se transfere com a venda.
  3. Cruze Caderneta Predial Urbana vs Conservatória vs configuração física. Qualquer divergência = o seu advogado precisa de investigar antes da escritura.
  4. Modele o rendimento líquido AL total com uma ocupação realista de 70-80 % e uma carga fiscal de ~22 % — não o melhor caso do título da plataforma.

Perguntas frequentes

Ainda consigo uma nova licença AL em Lisboa em 2026?

Efetivamente não para edifícios habitacionais dentro de zonas de contenção. O Mais Habitação congelou os novos registos AL e a Câmara de Lisboa confirmou a continuação do congelamento durante 2026. Algumas categorias comerciais/hoteleiras mantêm-se abertas.

Uma licença AL salvaguardada transfere-se com o imóvel?

Sim, mas com condições. Verifique o alvará através do registo RNAL do Turismo de Portugal, confirme que não caducou e verifique se o estatuto do condomínio permite AL (alguns edifícios mudaram as regras).

Que imposto pagam os não residentes sobre o rendimento AL em Portugal?

Por defeito 28 % de IRS sobre o rendimento líquido. Optar pelo regime simplificado tributa 6 % do bruto na categoria B (recomendado para a maioria dos operadores de curta duração). Podem aplicar-se sobretaxas de IMI a imóveis classificados como AL.

Os seus próximos passos

  1. 01Analisar um imóvelPasse cada risco deste artigo por uma morada específica — Quick Check gratuito, 60 segundos.
  2. 02Abrir a calculadoraObtenha o seu IMT com os escalões de residência secundária 2026.
  3. 03Fale com um advogado localA sua primeira apresentação é gratuita — o escritório paga-nos uma taxa de indicação fixa e divulgada, nunca uma percentagem do seu negócio.
  4. 04Acompanhe preço + regulaçãoReceba um alerta quando o preço de um imóvel mudar ou o país alterar as regras.

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